quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Sempre que me pego tomando chá quente, percebo que preparo o primeiro gole sorvendo apenas o ar , antes mesmo que o líquido toque minha língua. Gesto estranho. O ar sorvido e não soprado. Como posso esperar, e sempre espero, que a bebida venha na temperatura adequada? Para meu espanto, o líquido chega queimando língua e garganta. Só então relembro do que seria o mais correto: soprar para resfriar. Tal como sempre bebo o primeiro gole de chá, se me era na vida. No ímpeto, no desejo de absorver , queimava o corpo, a alma por inteiro. Houve um tempo em que viver assim não me causava dano ou pelo menos pensava que não. Hoje só me permito esquecer e sorver sem medo meu primeiro gole de chá... Quanto ao restante do que desejo, todo cuidado é pouco. Viver neste tempo presente queima tanto por fora, que eu não resistiria nem um segundo ser queimada mais uma vez aqui dentro. Conclusão? A vida é melhor para os que sabem soprar. E tenho dito.

2 comentários:

Anônimo disse...

Abri seu blogger agora, pela manhã, e me emocionou a sua falta de pudor em ser intensa até nas palavras. Muito boa essa coisa de não levar a vida pelas beiradas e se lançar, mergulhar nas reflexões diárias.
Gostei muitíssimo do seu espaço, mas quero ver suas dobras também!
Enchantè!

Maria Tereza Baierl disse...

Não a conheço pessoalmente mas já gosto muito de você, pela sua sencibilidade, pelo modo como vê a vida...Suas palavras são lindas, espero ouvir o som delas e não apenas ver a escrita.